Verdades de uma escritora – Coletivo Literatura Clandestina





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Este volume de aforismos, máximas, estrofes e quase mini-contos revolve todo o acaso, a espera, a volúpia de viver da escrita, ou de escrever para viver. É produzido por um coletivo clandestino, o que sugere um pacto de subversão compartilhada. Mas por que clandestino? As onze autoras começaram a se encontrar depois das aulas, e sem a formalidade de uma instituição, parecem sentir-se quase como se fizessem travessuras juvenis. Clandestino porque é constituído de mulheres que, na maturidade de outras profissões, decidiram se lançar furiosamente na luta com as palavras. Clandestino porque é constituído de mulheres.
Organizadas para que se confundam página a página, num coro de vozes que reforça o caráter gregário, elas no entanto se distinguem – basta escutá-las de perto. apm nos indica que escrever é ficar sabendo do dia pelo jornal e ainda preferir o sonho do último minuto. CL, enquanto o bolo assa, pensa no gênero das palavras. CM quer uma escrita como a que tentou certa vez Drummond: para que sua mãe se reconheça, para que todas as mães se reconheçam. Convence-nos CZA que escrever é doer, e doer às vezes é bom. FB não gosta de criar personagens maus, porque terão de viver em algum lugar. ge recomenda que, para fazer arte de si, é preciso destrancar as gavetas e colocar os diários a tomar sol. LC vê que as palavras se movem no papel. Já RM acredita que essas mesmas palavras saciam a fome de milhões, e que uma história nunca está sozinha. PG se joga mesmo com medo: acorda com vontade de sumir e senta para escrever. PO lembra que a poesia é uma desobediência civil. E SA, que caiu no buraco como Alice, nos dias em que escreve não se sente pequena, e sim enorme.
O coletivo sai da clandestinidade – com liberdade para arriscar – e se apresenta em papel impresso. “Elas descobriram que escrever é solitário, mas viver é coletivo”, FB nos deu a pista inaugural sobre o sentido de estarem juntas. Agora seus leitores e leitoras vão se juntar a elas.

(do prefácio)

Joselia Aguiar
São Paulo, junho de 2018