O canto das mulheres do asfalto – Carlos Canhameiro

O Canto das Mulheres do Asfalto é uma peça composta de cantos que partem da premissa de que as mulheres se recusam a parir novos filhos.

O autor aposta numa linguagem contemporânea que flerta com a prosa e a poesia e dispensa o uso de pontuação e de definição de personagens.

“Não vou lançar mão de subterfúgios Ele não vai me perguntar alguma coisa para que eu explique o porquê de tudo o porquê de nada o porquê é assim e não foi assado Foi-se o tempo das perguntas As respostas prostituíram a esperança e o sol de cada dia embaçou nossas vistas Nossa lida deixou de ser vida Nosso corpo é máquina imperfeita Eliminada sem piedade Há mais vida nesse prédio do que em todas nós aqui reunidas

Esse canto é um lamento

Lamento”

O livro conta com uma série de ilustrações em nanquim, que revelam mulheres grávidas metamorfoseadas em animais diversos . Um belíssimo trabalho feito com exclusividade para o livro e assinado por Carolina Meirelles.

 

Carlos Canhameiro

É pai, gosta de tiramisu, de vez em quando é ator, outras vezes, diretor – gosta mesmo é de dançar, e quando sobra tempo, escreve. Já escreveu umas peças, uns poemas e umas frases. Será jogador de tênis na próxima encarnação.

Carolina Meirelles

É artista plástica e, meio daqui, meio de acolá, trança a vida entre o mato, a cidade e os lugares criados por ela mesma; pela imaginação. E é desses lugares que sai seu trabalho, tanto plástico quanto escrito. É mãe de um guri e de outro que está por vir: acredita, ou tenta acreditar, na humanidade.